Tempo de leitura: 8 minutos

Autor: Dr. Oscar Bomfim – Cirurgião Cardiovascular CRM-MG 57864

Se você ou alguém próximo recebeu a indicação de fazer uma cirurgia de revascularização do miocárdio — popularmente conhecida como “ponte de safena” — é natural que surjam dúvidas e preocupações. Afinal, estamos falando

de uma cirurgia no coração.

Neste artigo, vamos explicar de forma clara e completa como funciona esse procedimento, o que esperar da recuperação e quais cuidados são importantes para um bom resultado.

O que é a Cirurgia de Ponte de Safena?

A cirurgia de revascularização do miocárdio é um procedimento feito para corrigir o fluxo de sangue para o coração (através de um desvio). Quando as artérias coronárias (que levam sangue ao músculo cardíaco) estão entupidas por placas de gordura, o coração não recebe oxigênio suficiente — o que pode causar

angina (dor no peito) ou até mesmo um infarto.

Na cirurgia de ponte de safena, o cirurgião cardiovascular cria um “desvio” nas artérias obstruídas usando vasos sanguíneos saudáveis retirados de outras partes do corpo. É como criar uma nova estrada para o sangue chegar ao destino quando

a estrada principal está bloqueada.

De Onde Vêm os principais vasos Usados na Ponte?

Os vasos utilizados para fazer as pontes podem vir de três lugares:

1. Veia Safena (da perna)

É a mais conhecida — daí o nome popular “ponte de safena”. A veia safena é retirada da perna e usada para fazer o desvio. Apesar de ser eficaz, com o tempo ela pode acumular novas placas de gordura.

2. Artéria Mamária Interna (do tórax)

Essa é considerada a melhor opção. A artéria mamária interna já está no peito e tem uma durabilidade excelente: 95% de chance de continuar funcionando perfeitamente após 10 anos. Por isso, sempre que possível, priorizamos o uso dela.

3. Artéria Radial (do braço)

Em casos em que precisamos de múltiplas pontes, também podemos usar a artéria radial do braço. Ela também tem ótima durabilidade e é considerada hoje em dia o segundo melhor enxerto para o lado esquerdo do coração.

Importante: Aqui na GACCE, sempre que a anatomia do paciente permite, priorizamos a revascularização arterial (usando artérias, no lugar da veia safena). Isso garante resultados mais duradouros e reduz a chance de o paciente precisar de uma nova cirurgia no futuro.

Quando a Cirurgia de Ponte de Safena é Indicada?

A cirurgia é indicada quando as artérias coronárias estão muito obstruídas (chamado padrão multiarterial, no cateterismo cardíaco) e o tratamento com angioplastia (cateterismo com colocação de stent) não é o adequado ou não é possível. As situações mais comuns são:

Obstrução de múltiplas artérias coronárias

Obstrução da artéria coronária esquerda principal

(conhecida como “tronco”)

Doença coronariana avançada com diabetes

Pacientes que já fizeram angioplastia e tiveram nova

obstrução

Infarto agudo onde o cateterismo não conseguiu resolver e/ou não é a indicação.

Quem decide pela cirurgia é sempre a equipe médica (conhecida por Heart Team) composta pelo cardiologista clínico, hemodinamicista e o cirurgião cardiovascular. A decisão é baseada em exames como cateterismo, teste ergométrico, cintilografia do coração, ecocardiograma (com stress), angiotomografia, dentre outros.

Como é Feita a Cirurgia?

A cirurgia de ponte de safena é realizada no centro cirúrgico, com o paciente sob anestesia geral. Vamos explicar o passo a passo:

1. Anestesia Geral

O paciente dorme completamente e não sente nada durante o procedimento.

2. Abertura do Tórax

O cirurgião faz uma incisão no centro do peito (esternotomia) para acessar o coração – no acesso convencional.

3. Retirada dos Vasos para as Pontes

Enquanto o cirurgião principal prepara o coração e a artéria mamária, outro membro da equipe retira a artéria radial e/ou a veia safena da perna.

4. Circulação Extracorpórea (CEC)

Na maioria dos casos, o coração é temporariamente parado e uma máquina de circulação extracorpórea assume a função de bombear o sangue pelo corpo. Isso permite que o cirurgião trabalhe no coração parado, com mais precisão.

Nota: Em alguns casos específicos, é possível fazer a cirurgia com o coração batendo, sem CEC. Isso depende da anatomia e da decisão do cirurgião.

5. Realização das Pontes

O cirurgião costura os vasos sanguíneos saudáveis nas artérias coronárias, criando os desvios. Podem ser feitas de 1 a 5 pontes, dependendo de quantas artérias estão obstruídas.

6. Fechamento do Tórax

Após as pontes, o coração volta a bater (se estava parado), a máquina de CEC é desligada, e o tórax é fechado com fios de aço no osso esterno.

Duração média: 2,5 a 5 horas

Como é a Recuperação Após a Cirurgia?

A recuperação da cirurgia de ponte de safena acontece em etapas. Vamos detalhar cada uma:

Imediatamente Após a Cirurgia (UTI –  2 a 3 dias)

Logo após a cirurgia, você vai para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Nesse momento:

  • Você estará entubado (com um tubo na garganta ajudando a respirar)
  • Terá diversos tubos e monitores conectados ao corpo
  • Estará sedado, mas aos poucos vai acordando e a retirada do tubo tende a ocorrer em até 6 horas do final da cirurgia. Nas primeiras 48 a 72 horas, a equipe médica monitora tudo de perto. 

Obs: Os drenos no peito são retirados aos poucos, assim como demais tubos/invasão (acesso venoso central, cateter de pressão arterial invasiva, sonda vesical de demora, fio de marcapasso provisório).

Primeiros Dias (Enfermaria – 3 a 5 dias)

Após sair da UTI, você vai para o quarto da enfermaria. Nessa fase:

  • Já está respirando sozinho e ficando sentado sozinho (processo esse que se iniciou na UTI)
  • Começa a andar (acompanhado e/ou com ajuda)
  • Progride com a fisioterapia respiratória e motora (iniciada na UTI)
  • Se alimentar normalmente

Alta Hospitalar (6 a 8 dias)

Na maioria dos casos, a alta acontece entre o sexto e o oitavo dia após a cirurgia. Você receberá:

  • Prescrição médica completa
  • Orientações sobre cuidados com a ferida operatória
  • Data do retorno ao consultório e telefone para orientações gerais
  • Local de retorno em caso de emergências

Recuperação em Casa (4 a 8 semanas)

Em casa, você precisará de alguns cuidados.

O que PODE fazer:

  1. Caminhar pela casa (incentivado!)
  2. Subir escadas devagar
  3. Tomar banho (sem esfregar a cicatriz)
  4. Alimentação leve e saudável.
  5. Dormir de barriga para cima

O que NÃO PODE fazer:

  • Dirigir (primeiras 6-8 semanas)
  • Pegar peso (mais de 3 kg)
  • Fazer esforço físico intenso
  • Levantar os braços acima da cabeça
  • Empurrar ou puxar objetos pesados

Recuperação Completa (2 a 3 meses)

  1. Após 8 a 12 semanas, a maioria dos pacientes já está:
  2. Sem dor no peito
  3. Sem falta de ar
  4. Voltando às atividades normais gradualmente
  5. Dirigindo normalmente
  6. Fazendo exercícios leves (liberado pelo médico)

Cuidados Importantes Após a Cirurgia

1. Cuidados com a Ferida Operatória

  • Lave a cicatriz com água e sabão neutro
  • Não esfregue nem coloque pomadas sem orientação
  • médica
  • Use roupas macias que não apertem o peito
  • Observe sinais de infecção: vermelhidão, inchaço, pus ou
  • febre

2. Medicações

Você sairá do hospital tomando várias medicações:

Antiagregantes plaquetários (AAS, Clopidogrel) → evitam coágulos (deixam o “sangue ralo”)

Estatinas (Atorvastatina, Rosuvastatina) → controlam colesterol e as placas de gordura

Betabloqueadores e outros controlam pressão e ritmo cardíaco

MUITO IMPORTANTE: Nunca pare de tomar as medicações por conta própria. Mesmo se sentindo bem, os remédios são essenciais para proteger seu coração.

3. Alimentação

  • Evite sal em excesso
  • Reduza gorduras saturadas e frituras
  • Prefira frutas, vegetais, carnes magras e grãos integrais
  • Beba bastante água

4. Atividade Física

  • Comece com caminhadas curtas (5 a 10 minutos, 2x ao dia)
  • Aumente gradualmente a distância e o tempo
  • Só retorne a exercícios intensos após liberação médica (geralmente 3 meses)

5. Acompanhamento Médico

  • Retorne ao cardiologista conforme orientado (geralmente 30 e 90 dias)
  • Faça exames de controle: ecocardiograma, teste ergométrico
  • Mantenha consultas regulares para o resto da vida

Obs: Recomendamos o uso da cinta torácica durante todo o dia desde a saída da UTI

Quais São os Riscos da Cirurgia? Como qualquer cirurgia de grande porte, a ponte de safena tem riscos, mas eles são baixos quando realizados por equipes experientes.

  • Os principais riscos incluem:
  • Sangramento
  • Infecção
  • Arritmias cardíacas
  • Derrame (AVC)
  • Infarto do coração
  • Problemas renais temporários
  • Infecção na ferida operatória

Na GACCE, nossa taxa de mortalidade é inferior a da média nacional. Isso se deve à experiência da equipe, formada no Instituto Dante Pazzanese (referência nacional), e ao acompanhamento próximo em todas as fases da recuperação.

– – –

Quanto Tempo Duram as Pontes?

A durabilidade das pontes depende do tipo de vaso utilizado:

Tipo de Vaso Durabilidade Média

Veia Safena em 10 anos (80% de patência)

Artéria Mamária

Interna 95% de patência em 10 anos)

Artéria Radial em 10 anos (88% de patência – para artéria circunflexa)

Por isso, sempre que possível, priorizamos a revascularização arterial — usando prioritariamente a artéria mamária e a artéria radial. Isso garante pontes que duram muito mais e reduz drasticamente a chance de o paciente precisar de uma nova cirurgia no futuro.

Depois da Cirurgia, Posso Ter uma Vida Normal?

Sim! A maioria dos pacientes retorna à vida normal após 2 a 3 meses. Muitos relatam que se sentem melhor do que antes da cirurgia, pois não têm mais dor no peito, falta de ar ou cansaço.

Mas para isso, é fundamental:

  • Seguir as orientações médicas
  • Tomar as medicações corretamente
  • Adotar hábitos saudáveis: alimentação equilibrada,
  • exercícios regulares, não fumar
  • Controlar fatores de risco: diabetes, pressão alta, colesterol
  • Fazer acompanhamento médico regular

A cirurgia corrige o problema das artérias obstruídas, mas não cura a doença coronariana. Por isso, mudanças no estilo de

vida são essenciais para evitar que novas placas se formem.

Quando Devo Procurar Ajuda Médica Urgente?

Após a alta, procure atendimento médico imediatamente se

apresentar:

Dor forte no peito

Falta de ar intensa

Febre acima de 38°C

Vermelhidão, inchaço ou secreção na cicatriz

Palpitações ou desmaios

Inchaço nas pernas ou ganho de peso repentino

Por Que Escolher a GACCE para Sua Cirurgia Cardíaca?

A GACCE é formada por cirurgiões cardiovasculares com formação sólida no Instituto Dante Pazzanese (referência nacional em cirurgia cardíaca) e experiência internacional.

Nossos diferenciais:

Revascularização arterial sempre que possível (pontes mais duradouras)

Equipe com observership no Canadá em técnicas minimamente invasivas

Acompanhamento intensivo no pós-operatório (nossa equipe também tem cirurgiões com experiência longa em medicina intensiva e até mesmo com título de especialista em CTI/UTI)

Tecnologia moderna disponível em Montes Claros

Taxa de complicações inferior à média nacional 

Comunicação clara e humanizada com pacientes e familiares

Conclusão

A cirurgia de ponte de safena é um procedimento seguro e eficaz quando realizada por equipes experientes. Ela devolve qualidade de vida a milhares de pessoas todos os anos, permitindo que voltem às suas atividades sem dor no peito ou limitações.

Se você recebeu indicação para fazer essa cirurgia, saiba que está dando um passo importante para cuidar do seu coração.

Siga as orientações médicas, tenha paciência com a recuperação e mantenha hábitos saudáveis. Você não está sozinho nessa jornada. Nossa equipe está aqui

para cuidar de você do início ao fim.

Ficou com Dúvidas?

Se você ou alguém próximo precisa de uma avaliação com

cirurgião cardiovascular, entre em contato conosco:

Você não está sozinho nessa jornada. Nossa equipe está aqui

para cuidar de você do início ao fim.

GACCE Clínica – Cirurgia Cardiovascular e Vascular

E-mail: contato@gacclinica.com

Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Sempre consulte um cardiologista ou cirurgião cardiovascular para avaliação individualizada.

Avatar photo

Dr Oscar Bonfim

Cirurgião Cardiovascular

CRM-MG 57864

Cirurgião Cardiovascular. Formado pelo Instituto Dante Pazzanese (SP) com observership em Cirurgia Minimamente Invasiva no Canadá. Membro Titulado da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular Título de Especialista em Medicina Intensiva – AMIB.